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Primeira Mão - Notícias

Circuncição

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A Circuncisão Pode Proteger os Homens Contra a AIDS?

Há uma estimativa de cerca de 50 milhões de pessoas infectadas pelo vírus HIV nos dias de hoje, dos quais 50% são homens. Em ambos os sexos, 75% a 85% das infecções se devem ao contato sexual. No caso dos homens, 70% contraíram o vírus através do sexo vaginal enquanto uma porção menor o fez através do sexo anal, ao contrário talvez, do que é pensado pelo público geral.

Como o HIV infecta o homem durante o ato sexual?

Para que o vírus atinja a corrente sangüínea e cause a infecção generalizada, ele primeiramente infecta células específicas (macrófagos, células de langerhans e células dentríticas) localizadas nas mucosas (uma pele mais fina) genitais e/ou retais. Tais células têm a função especial de englobar partículas estranhas (vírus, bactérias, etc) e apresentá-las para as células de defesa do corpo humano (glóbulos brancos) para que essas possam destruir tais partículas. O HIV, dessa forma, penetra primeiramente nessas células que são então fundidas com linfócitos CD4+ (tipo de glóbulo branco) que então migram para tecidos internos. Dentro de dois dias, já se consegue detectar o vírus nos linfonodos ilíacos (regiões para onde drenam as partículas estranhas uma vez detectadas pelas células específicas) e logo após em linfonodos sistêmicos. Estudos microscópicos em humanos masculinos evidenciaram a presença dessas células específicas na uretra e na pele interna do prepúcio (pele protumberante do pênis que recobre a glande). Dessa forma, parece serem esses, os locais primários mais prováveis de infecção pelo HIV em homens.

Implicações

Uma revisão bibliográfica sobre a epidemia da AIDS feita pelo Dr. Roger V. Short e colaboradores, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de Melbourne - Austrália, evidenciou uma quantidade expressiva de artigos mostrando evidências epidemiológicas importantes a favor da circuncisão como fator de proteção contra a infecção pelo HIV em homens. De acordo com esses estudos, os homens circuncisados têm de duas a oito vezes menos chances de contraírem a AIDS. Ao mesmo tempo, há também uma proteção contra outras doenças sexualmente transmissíveis e uma vez que essas últimas aumentam a chance de transmissão do HIV de duas a cinco vezes, a circuncisão pode ter um efeito protetor ainda maior.

Uma forte evidência

A maior evidência do efeito protetor da circuncisão sobre a transmissão do HIV veio de um estudo realizado com casais na Uganda que possuíam sorologia para HIV discordante, ou seja, as mulheres eram positivas e os homens negativos. Nenhuma infecção ocorreu nos 50 homens circuncisados em 30 meses enquanto 40 de 137 homens não circuncisados tornaram-se infectados nesse mesmo período. Ambos os grupos foram supridos com acesso livre ao teste para HIV, instruções intensivas sobre prevenção do contágio e preservativos de graça, apesar de 89% dos homens não os terem usado nenhuma vez, e o uso dos mesmos não ter influenciado a taxa de transmissão da doença.

Por que a remoção do prepúcio diminui a suceptibilidade ao HIV?

O pênis normal consiste do corpo do pênis, glande, meato uretral, parte externa e interna do prepúcio e o freio (fino pedaço de pele que liga a camada interna do prepúcio à região ventral da glande). A pele externa do prepúcio é constituída de uma pele que funciona como uma barreira contra a infecção do HIV. Entretanto, a pele interna do prepúcio possui grande quantidade daquelas células específicas onde o vírus se instala primeiramente no processo infeccioso. Essa região é deslocada para trás durante o ato sexual entrando em contato com a mucosa vaginal e com suas secreções, ricas em HIV, possibilitando uma área suficientemente grande para que se tenha a infecção viral. Nos homens circuncisados, somente a porção final da uretra possui uma mucosa com células específicas as quais por sua vez se encontram em menor quantidade.

Lesões ulcerativas ou inflamatórias (DSTs) da uretra, prepúcio, freio ou glande causadas por outras doenças sexualmente transmissíveis possibilitam vias adicionais de infecção pelo HIV. Nos homens não circuncisados, o freio - altamente vascularizado - é um local altamente susceptível a lesões traumáticas durante o ato sexual e lesões causadas por outras DSTs ocorrem com freqüência nesse local. Assim a circuncisão também diminui o risco de infecção reduzindo o sinergismo existente entre o HIV e outras DSTs.

Conclusão

De acordo com os achados acima discutidos, conclui-se que a circuncisão pode diminuir o risco de infecção masculina pelo HIV através da diminuição de áreas que contém receptores específicos pelo HIV e pela diminuição das lesões no freio, sejam elas traumáticas ou causadas por outras DSTs. Mesmo sabendo que os preservativos de látex - camisas de vênus - devem ser a primeira escolha no que diz respeito à prevenção da AIDS e outras DSTs, eles são freqüentemente renegados ou utilizados incorretamente, podem se romper durante o ato sexual e podem estar submetidos a fortes objeções culturais e estéticas pelos usuários. Diante disso, a circuncisão pode se tornar um importante método de prevenção especialmente em países com uma grande incidência de infecção pelo HIV.

É importante que também seja repensado o sexo seguro, pois o contato de sêmen ou secreções vaginais com o pênis deve ser evitado, principalmente em homens não circuncisados. Assim, a masturbação masculina mútua onde um pênis pode estar exposto ao contato de sêmens infectados deve ser considerada como um comportamento de risco.

Novas estratégias de prevenção devem ser pesquisadas para se utilizar em ambos os sexos antes do ato sexual. A desvantagem de pomadas viricidas (destruidoras de vírus) reside no fato de que essas podem irritar a pele dos órgãos genitais aumentando assim o risco de infecção pelo HIV. O desenvolvimento de agentes tópicos que pudessem interromper ou inibir a ligação do HIV com células específicas da mucosa genital, ou seja, uma "camisinha química" poderá ser mais efetivo e mais aceito do que qualquer intervenção mecânica ou cirúrgica.

Fonte: BMJ 2000;320:1592-1594 (10 June)

 Circuncisão protege contra infecção por HIV

Fonte: British Medical Journal, 08/06/2000

Homens que não fizeram circuncisão estão sob risco muito mais elevado de se infectarem pelo vírus HIV do que aqueles que sofreram o processo, conforme nova pesquisa publicada esta semana na British Medical Journal.

Com base em informações de 40 estudos prévios, pesquisadores da Austrália sugerem que o vírus ataca células específicas localizadas na superfície coberta do prepúcio. Estas células possuem receptores de HIV, fazendo com que tal área seja susceptível à infecção.

Os pesquisadores propõem que a circuncisão fornece proteção significativa contra a infecção por HIV através da remoção da maioria dos receptores.

A prova mais contundente deste efeito protetor deriva de um novo estudo de casais em Uganda, onde cada mulher era HIV positivo e seu parceiro não estava infectado Após um período de 30 meses, não ocorreu qualquer nova infecção entre os 50 homens circuncisados, enquanto que 40 dos 137 homens que não sofreram o processo foram infectados (mesmo com todos os casais sendo advertidos para prevenção da infecção e tendo camisinhas disponíveis).

Embora as opiniões religiosas e culturais a respeito da circuncisão estejam muito divididas, os autores concluem que este procedimento deveria ser seriamente considerado como um método adicional de prevenção contra o HIV em países com altos índices de infecção.

Como alternativa, o desenvolvimento de "camisinhas químicas" (produtos que bloqueiem os receptores de HIV no pênis e na vagina) pode fornecer uma forma mais aceitável de prevenção de HIV no futuro.

A CIRCUNCIÇÃO NA VISÃO ESPIRITUAL:

 A Brit Milá (A Circuncisão)
Por Fernando Oliveira Santana Júnior (Ariel)

O presente artigo diz respeito à uma grande mitsvá (mandamento) que o Eterno nos entregou,  a saber: A Circuncisão.

À luz do que foi visto, a Circuncisão é chamada em hebraico – “Brit Milá” que significa literalmente Aliança da Circuncisão. Este mandamento é mencionado na Torah: “E disse D-us a Avrahám (Abraão): ‘E tu, minha Aliança guardarás, tu e a tua semente depois de ti, nas suas gerações. Esta é a minha Aliança, que guardareis entre Mim e vós e a tua semente depois de ti: será circuncidado entre vós todo varão, mas vossas gerações...”. (Bereshít – Gênesis 17:9-12).

A Circuncisão consiste na retirada do prepúcio do órgão genital do menino judeu no oitavo dia de seu nascimento como sinal da Aliança de HaShêm (D-us) com Avrahám Avínu (nosso pai Abraão). Nesse contexto, também significa um sinal de intercessão e identificação com o povo judeu, uma vez que foi,  a partir da mesma, que nós fomos estabelecidos como povo. Outrossim, nas palavras do Rabino messiânico Daniel C. Juster: “A Circuncisão é a Aliança de sangue da parte de Abraão”. (O Chamado Irrevogável, pág. 13). Noutras palavras ainda, trata-se da iniciação do judeu como menbro pleno do povo de Israel. A mesma é tão relevanre, que conforme o Talmud (Nedarím 32a), “equivale à guarda de todas as leis da Torah”.

Têm-se alegado, que a Circuncisão fora outrora costume de muitos povos antigos e que, por conseguinte, nosso povo a adotou do Egito no mister de “método higiênico”. Não constitue dificuldade alguma contestar esta “especulação” à luz da Tanách (o chamado “Antigo Testamento”). Obviamente, os moradores de Shechém (Siquém) jamais observaram a Brit Milá (Bereshít – Gênesis 34:24). Yechezkel (Ezequiel) escreveu que os povos de Ashúr, Elám, Méshech, Tubal, Edôm, Tsidôn e o próprio Egito não observavam a Circuncisão (ler Capítulo 32 do Livro do Profeta).

Quem faz a Brit Milá é o Mohel (Circuncidador), o qual pode ou não ser um Rabino; exige-se do Mohel duas coisas importantes: - Que seja conhecedor das leis de realização da Brit Milá. – Que seja observante da Torah. Entretanto, caso não haja Mohel para fazer a Circuncisão, um médico judeu pode realizá-la e, na ausência deste, um médico gentio pode realizá-la, contanto que o pai da criança ou algum judeu apto estejam dando as “brachot” (bançãos) por ocasião da própria Brit Milá. A propósito, exige-se pela Lei Judaica, que o Minyám (Quórum religioso composto por dez judeus adultos a partir da idade de Bar Mitsvá – 13 anos, havendo feito evidentemente a referida cerimônia) compareça ao local da realização da Brit Milá dentro das possibilidades pois, caso contrário, a mesma pode seguir caso um Minyám não esteja presente.

 A CIRCUNCISÃO PODE SER FEITA NO SHABÁT (SÁBADO)?

Nossos sábios, de abençoada memória, decretaram que a Brit Milá deve ser realizada no Shabát, se o oitavo dia coincide com o mesmo, porque eles entenderam perfeitamente que o “oitavo dia” que a Torah menciona (Bereshít – Gênesis 17:11; Vayicrá – Levítico 12:3) inclui o próprio Shabát (Talmud – San’hedrín 59b). Foi também decidido numa Mishná (Lei Judaica) que “no Shabát se faz todo o necessário para a Circuncisão” dentro do que foi decretado pelos sábios (Talmud – Tratado Shabát - Mishná 19:2 [133a]). E, inclusive, banha-se normalmente a criança antes e depois e também no terceiro dia após a Brit Milá, uma vez que é o mais doloroso, mesmo sendo Shabát, o menino é banhado – conforme uma outra Mishná (Talmud – Tratado Shabát - Mishná 19:3 [134b]).

Na Brit Chadashá (o chamado “Novo Testamento”) o Messias Yeshua ratificou dos sábios (Yochanán – João 7:22, 23). A propósito, vamos entender o que Yeshua expressou nesses versículos: “Moshê (Moisés) vos deu a Milá (Circuncisão), se bem que ela não veio de Moshê, e sim, dos Patriarcas, e no Shabát circuncidais um homem. E agora, se um homem pode ser circuncidado para que a Torah de Moshê não seja violada, por que vos indignais contra Mim, porque de todo curei um homem no Shabát”? Antes de mais nada, afirmo que não existe na Torah, algum texto alusivo ao fato do Eterno não curar no Shabát.

Mas, o que quis o Messias Yeshua expressar nos versículos acima? Vale ressaltar, que Yeshua usou o que é chamado na nossa tradição de “Dinêi Torah” – “Julgamentos específicos sobre como aplicar a Torah em determinadas ocasiões”. Quando os nossos sábios se depararam com o conflito de dois mandamentos – 1º. a proibição do trabalho no Shabát. E 2º. a Circuncisão, eles aplicaram um “Din Torah”, porque a mitsvá (mandamento) da Brit Milá tem precedência sobre o Shabát e a mesma deve ser feita. Vale ressaltar, que o “cortar” é mencionado como uma das 39 categorias de trabalhos conforme os sábios. Entretanto, foi decretado que se deveria realizar todo o necessário para fazer-se a Brit Milá no Shabát, conforme a Mishná mencionada há pouco.

O Mashíach (Messias) ao empregar o Seu “Din Torah”, também lançou mão de uma das sete normas (“takanot”) de interpretação elaboradas pelo Rabí Hilel em que (durante a meninez e mocidade de Yeshua) consistia a Hermenêutica Rabínica; chama-se “Kal vaChômer” (“Leve” e “pesado”), conhecido na filosofia como “A Fortiori” (“de força maior”). Efetivamente, o mesmo está essencialmente na expressão “muito mais...”. À vista disto, a argumentação do Messias é parafraseadamente: “Vós permitis a realização de todo o necessário no Shabát para a mitsvá da Circuncisão; muito mais, é que devíeis permitir também no Shabát a realização da cura de todo corpo de um homem”! Yeshua em nenhum momento está violando a Brit Milá aqui, uma vez que há mais perigo de morte para um enfermo do que para um menino em estado perfeito de saúde por ocasião da Brit Milá.

A propósito, no início do Período Amoraítico (200-250 d.C.), o Amorá Rav disse quanto ao cuidar da ferida da criança no Shabát após a Brit Milá: “Não se deve deixar de curar no Shabát uma ferida com água morna e azeite” (Talmud – Shabát 134b). Portanto, vê-se aqui, que Rav falou que se poderia fazer o necessário (banhar o corpo e o membro do menino) com água morna e azeite para a cura (cicatrização) da ferida deixada após a retirada do prepúcio. E antes de chegar-se à esta decisão, foi dito que “a ferida de um adulto não cura rápido; a de um menino, sim” (Talmud – Shabát 134b).

Enfim, à luz de todo este contexto dito até aqui, creio que se os sábios da época de Yeshua tivessem a compreensão do Amorá Rav, não haveria oposição à realização da cura no Shabát por parte do Messias!

A CIRCUNCISÃO DO MESSIAS YESHUA

Não posso como judeu messiânico deixar de falar sobre a Brit Milá do Messias, conforme atesta Lucas 2:21: Completados oito dias para ser circuncidado o menino, deram-lhe o nome de YESHUA, como lhe chamara o anjo, antes de ser nascido”. Yeshua veio para cumprir os mandamentos da Torah (Matityáhu – Mateus 5:17) e Ele, como sabemos incontestavelmente, não anulou a Brit Milá para o povo judeu, pois também foi circuncidado no oitavo dia.

Enfim, vale ressaltar, que o Messias de conformidade com a tradição, somente recebeu o Seu Nome em seguida à Circuncisão.

A BRIT MILÁ É PARA TODO O POVO JUDEU

Ao falar todo o povo judeu – refiro-me a judeus que crêem em Yeshua e também aos que não crêem. Portanto, os judeus messiânicos (que também são descendentes de Abraão e participantes da sua Aliança) cumprem a mitsvá (mandamento) da Circuncisão.

Porém, que dizer diante desta “acusação”: “[Jesus] Ele apenas fez com que os seus seguidores serem expulsos do Judaísmo após rejeitarem a Torah e a Brit Milá”.

Refutação: Na verdade, ninguém foi “expulso” do Judaísmo (pode haver sido das outras ramificações de então – fariseus, essênios, saduceus, etc;). Os seguidores de Yeshua sempre mantiveram o seu Judaísmo vinculado à observância da Torah. Temos um exemplo óbvio disto em Atos 21:20: “... quantos milhares de judeus há que crêem e TODOS SÃO ZELOZOS DA TORAH!” Até o próprio Rabí Shaúl (Paulo) foi um vivo exemplo; foi acusado de ensinar aos dispersos do nosso povo entre os gentios a não circuncidarem os seus filhos e a se apartarem da Torah de Moshê Rabênu (Atos 21:21), como também de supostamente colocar gregos dentro do Bêit HaMikdásh (Templo Sagrado) conforme Atos 21:28, somente porque foi visto com Trófimos em Jerusalém (em função disto, pensou-se que Rabí Shaúl o introduzira no Templo Sagrado com mais três gregos – Atos 21:29, embora sendo irrefutavelmente inegável que os quatros homens eram judeus que fizeram o voto de nazireu que estavam com Yaacov [Tiago irmão de Yeshua], sendo portanto “judeus” e não “gregos” (Atos 21:23)!

Não obstante, toda calúnia proferida contra Rabí Shaúl (Paulo) foi derrubada pelo seu voto de nazireu que estava terminando quando chegou à Jerusalém, para comprovar as palavras do próprio Yaacov, o Justo: “Toma-os, purifica-te (cerimonialmente) com eles e faze a despesa necessária para que rapem a cabeça; e saberão todos que não é verdade o que se diz a teu respeito; e que, pelo contrário, ANDAS TAMBÉM, TU MESMO, GUARDANDO A TORAH”. (Atos 21:24). Outra coisa: Rabí Shaúl fez não só “Purificação Cerimonial” (Gr. Aguiósmos) – Atos 21:26, como também “Korbán” (Sacrifício), uma vez que a palavra grega que aparece no texto é “prosforá” e é correspondente ao hebraico “Korbán”, após os “dias de purificação” (Atos 21:26). Ver também Atos 24:17 e 18.

Ademais, até circuncidou o jovem judeu Timóteo (Atos 16:3).

Enfim, não procede a alegação de que os judeus messiânicos abandonaram a Torah e Brit Milá e tampouco o Messias Yeshua e Rabí Shaúl ensinavam contra a mesma para o povo judeu, uma vez que tinham conhecimento de que ela foi dada por “Aliança Perpétua” e “pelas gerações da Descendência de Abraão”.

 OS “BNÊI ANUSSÍM”
DESCENDENTES DE MARRANOS E CRISTÃOS-NOVOS E A BRIT MILÁ

Nesse contexto, lembremo-nos da chegada dos primeiros judeus à América, todos eles “Bnêi Anussím” (Literalmente - Descendentes dos Forçados [à conversão ao Cristianismo]) no século XIV. A propósito, atualmente existem muitos em nosso país.

Destarte, como fica a situação dos descendentes (embora existam muitos que não saibam que são) de marranos e cristãos-novos??? Devem fazer “Teshuvá” (Retorno à sua judaicidade) incluindo a Brit Milá para os que são incircuncisos? Esta é uma indagação de suma importância!!!

Sabemos que a pessoa é judia ou não pela Halachá (Lei Judaica) que diz: “Judeu é o nascido de mãe judia ou convertido ao Judaísmo”. Entretanto, com toda sinceridade, não é assim que diz a Tanách (o chamado “Antigo Testamento”) que geneticamente assume a judaicidade paterna, pois quem passa o “zéra” (a semente) é o pai (ver Divrêi HaIamím Álef - 1º Crônicas 2 a 8).

A supracitada Halachá somente determina no caso da mãe. Não seria isto uma contradição e um erro negar a judaicidade ou a linhagem judaica pelo lado paterno, já que é assim que o faz a Tanách?

Noutras palavras recapitulando: pela Tanách (ver Divrei HaIamím Álef – 1º Crônicas), a linhagem judaica é determinada pelo pai, portanto, um filho de pai judeu é judeu. Outra coisa, é que a Halachá era assim até antes de 135 d.e.c., por ocasião da 2ª revolta do nosso povo contra os romanos. Desde então, passou-se a determinar que judeu seria filho de mãe judia. Isto se deu, porque durante a revolução do jovem general Shimon Bar Kochvá, centenas de milhares de judias eram estupradas pelos romanos e para que os filhos delas não fossem considerados gentios, adotou-se daí em diante, a Halachá – Mi Iehudí (Quem é Judeu?) como é atualmente. Vale ressaltar que não estamos anulando o lado materno.

Enfim, se a Halachá de quem é judeu é a que foi de há pouco mencionada (sem considerar a linhagem paterna), como ficariam nesse contexto, Efráim e Menashê (Manassés) – filhos de uma gentia com Yossef (José), os filhos do próprio Moshê (Moisés) e também o filho de Boaz com uma não-judia – Rut que foi Oved (Obede) e este pai de Yshái (Jessé)??? Segundo a Halachá eles não seriam judeus, embora sendo incontestável que a Escritura atesta a judaicidade de todos eles!!!

Consequentemente, como fica a questão dos “Bnêi Anussím”, uma vez que é indiscutivelmente o caso de milhares de brasileiros cujos antepassados – judeus “s’faradím” (espanhóis e portugueses) foram perseguidos pela malfadada Inquisição e que vieram para o nosso país???

Evidentemente, muitos forçadamente diante das circunstâncias inquisitoriais, converteram-se ao Cristianismo. Porém, será que os descendentes atuais de sexta, sétima gerações, etc., parte já muito misturada e assimilada, teriam o dever de fazer Teshuvá??? Inda mais agora: uma Teshuvá no Messias Judeu Yeshua???

Se os Descendentes de marranos e cristãos-novos são tratados como gentios e caso façam Teshuvá serão tratados na qualidade de gentios – “guerím” (prosélitos), então, faço um desabafo: “Assim, não há privilégio, valor e vantagem em ter-se sangue e ascendência judaicos, já que tudo isto é ignorado e posto na rejeição”! Seria isto aceito diante de HaShêm (D-us)???

Se o Eterno foi capaz de restaurar 400 anos de Galút (Exílio) no Egito, 70 na Babilônia independentemente da assimlilação, não será capaz de restaurar 500 anos de Galút do nosso povo no Brasil???

Afirmo sinceramente que o “Ben Anussím” têm o direito, se porém for chamado pelo Eterno, de fazer Teshuvá. As minhas argumentações são as seguintes:

·            Quando o Eterno fala da restauração da “Descendência da Casa de Israel” (Yirmeyáhu – Jeremias 23:8), “Descendência de Jacob” (Yeshayáhu – Isaías 45:19) como, por exemplo, em Isaías 43:5: “Não temas, pois, porque Eu sou contigo, trarei a tua descendência desde o Oriente, ajuntá-la-ei desde o Ocidente”; pergunto: estariam fora os “Bnêi Anussím”??? Afinal, todo descendente de marranos e cristãos-novos pode ser considerado descendente do Povo de Israel independentemente do grau de assimilação e miscigenação – se maior ou menor, pois este descendente está efetivamente incluso nesta restauração. A questão da pureza sangüínea pode ser discutida. A propósito, que dizer do Reino do Norte (Casa de Israel ou Efraim) como é conhecido no Livro de Hoshêa (Oséias) como as 10 tribos??? É mencionada enfaticamente a sua miscigenação e assimilação no capítulo 8, versículo 8: “Israel foi devorado; agora está entre os gentios como coisa de quem ninguém se agrada”. A despeito da assimilação e miscigenação, o Eterno prometeu restaurar as 10 tribos (ler Hoshêa – Oséias 1:11; 2:23, etc.). Menciono a seguinte realidade bíblica: “Depois, tornarão os Filhos de Israel e buscarão ao Eterno, Seu D-us e a David, seu Rei; e, nos últimos dias, tremendo se aproximarão do Eterno e da Sua bondade”. (Oséias 3:5). “Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir Efraim [10 tribos], porque Eu sou D-us e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira. Andarão após o Eterno, este bramará como leão, e bramando, os filhos [descendentes], tremendo virão do Ocidente; tremendo virão como passarinhos os do Egito, e como pombas os da terra da Assíria, e os farei habitar nas suas próprias casas, diz o Eterno (Oséias 11:9-11). As raízes que outrora se secaram na Galút (Exílio entre os gentios) em meio à miscigenação e assimilação (Hoshêa – Oséias 9:16), SERIAM RESTAURADAS (Hoshêa – Oséias 14:5,6). O Talmud diz que as 10 tribos do Norte de Israel, exilados pelos assírios antes da destruição do 1º Templo (Melachím Bêit – II Reis 17), e dispersas além do Rio Sambation e das Montanhas da Escuridão, TAMBÉM RETORNARÃO (FARÃO TESHUVÁ) – Talmud – San’hedrín 110b; cf. Midrásh – Bamidbár Rabá 16:25. E o Reino do Sul (Judá) também foi disperso, mas está sob promessa de restauração (Yechezkêl – Ezequiel 36:16-38, etc.), como também é enfatizada de forma muito óbvia a restauração de todas as tribos em um só povo (Hoshêa – Oséias 1:11; Yeshayáhu – Isaías 11:11-16; Yirmeyáhu – Jeremias 23:8; 50:4,5; Yechezkêl – Ezequiel 37:15-28, etc.). Enfim, o marrano e cristão-novo não está fora deste contexto, já que D-us sabia que o nosso povo se dispersaria entre os gentios e que haveria assimilação e miscigenação. Contudo, isto não impede a restauração das raízes judaicas dos descendentes de marranos e cristãos-novos! O que se pode discutir, é se todos eles restaurarão suas raízes. Creio que não! Mas, o Eterno evocou para si esta missão. Vale ressaltar aqui, o que falou o Yirmeyáhu (Jeremias) 3:14: “Retornai, ó filhos rebeldes, diz o Eterno; porque Eu sou o vosso esposo e vos tomarei, um de cada cidade e dois de cada família e vos levarei a Tsion”. Portanto, como se cumprirão as profecias relacionadas com a restauração do povo judeu, se os descendentes do mesmo não restaurarem suas raízes? Como exemplo evidente, lembremo-nos de que os 144.000 que estarão aqui durante a Tsará Guedolá (Grande Tribulação) não serão gentios, mas sim, judeus.

·            Finalmente, têm um chamado irrevogável para com o Eterno como povo escolhido (Romanos 11:29): ser luz para todos os gentios! Dizer “não” a isto, não seria negar frontalmente a este chamado e sua judaicidade com os seus antepassados judeus? Os quais, para preservar ou dar continuidade à “descendência” em meio às circunstâncias da Inquisição converteram-se ao Cristianismo (ramificação – catolicismo romano)! Não nos cabe o julgamento.

E quantos não fizeram Teshuvá ao longo da história. Por exemplo, muitos a fizeram em 1636 quando da ocupação holandesa no Brasil e, por que não mencionar a Teshuvá de 10 famílias marranas que, após alugarem navios e haverem fugido da Espanha, foram para a Holanda. Posteriormente, ao saberem da existência de judeus na Holanda (país de liberdade religiosa), um dos passageiros (e seu filho) perguntou se não havia um Rabino para ser apresentado a ele. Dois dos marranos mais velhos, ao saberem que vivia lá um Rabino por nome Moshê Uri Ashkenazí foram vê-lo. Após o encontro com o Rabino, os marranos lhe disseram quem eram e como haviam chegado até ali. Assim se expressaram para ele com desejo de Teshuvá: “Desejamos voltar à nossa fé e nos reunir com nosso povo. Arriscamos nossa vida por muitos anos, para que pudéssemos permanecer fiéis ao nosso D-us e a nossa Torah, mas não pudemos fazer muito sob os olhos vigilantes da Inquisição. Muitos de nós são ignorantes sobre a Torah; NÃO FOMOS CIRCUNCIDADOS; nossos filhos nem ao menos sabem o Álef-Bêit (Alfabeto Hebraico). Mas, o fogo da devoção a D-us ainda arde em nossos corações. Ajude-nos Rabí a retornar para o nosso povo”.

Assim como chorei ao ler este apelo de Teshuvá, assim também chorou o Rabí Moshê Uri. É interessante, que eles não tinham Brit Milá, mas estavam dispostos a fazer uma Teshuvá “plena”. Mais tarde, depois de Rabí Moshê haver aconselhado aos marranos a irem à Amsterdã, todos foram circuncidados após a chegada do Rabino com seu filho Aharôn e passaram a ser ensinados sobre a fé e tradições judaicas.

Embora esta Teshuvá não tenha sido feita com a crença de que Yeshua é o Messias, a mesma serve de exemplo de conclamação para a atual geração de descendentes de marranos e cristãos-novos a cumprirem o dever de restaurarem suas raízes judaicas. Nesse contexto, o Judaísmo Messiânico conclama à uma Teshuvá no Messias Judeu Yeshua (não se trata de “conversão ao Cristianismo em todas as suas ramificações”). Entretanto, qualquer “Ben Anussím” tem livre-arbítrio para fazer esta Teshuvá no Messias. Do contrário, sob o mesmo livre arbítrio, o direito de permanecer gentio, dizendo não ao chamado irrevogável do Eterno ao Povo de Israel.

O GENTIO É OBRIGADO A FAZER BRIT MILÁ?

Evidentemente não! Não é uma mitsvá (mandamento) para o gentio. Na Bíblia (1 Coríntios 7:18) vemos: “Foi alguém (gentio) chamado incircunciso? Não se faça circuncidar”. Isto também é um fato comprovado no Talmud: “Ao oitavo dia se circuncidará, impôs-se unicamente aos israelitas, não aos Bnêi Nôach [Filhos de Noé]”. (Talmud – San’hedrín 59b). “Ben Nôach” (Lit. “Filhos ou Descendentes de Noé”) é a expressão dos nossos sábios para designar os gentios. Lembremos que ainda não existia o povo judeu e, como não existia, os mandamentos dados a Nôach e a seus filhos em Bereshít – Gênesis 9 – são universais e os mesmos devem ser observados por toda humanidade.

O Judaísmo ensina que os gentios não são obrigados a cumprir mandamentos especificamente dirigidos ao povo judeu. Por exemplo, no Talmud – San’hedrín 56b, é dito que os Filhos de Noé podem usar roupa mista de lã e linho, ao passo que é proibido isto ao povo judeu na Torah (Vayicrá – Levítico 19:19). Nesse contexto, os gentios devem observar não toda Torah, mas as chamadas “Shéva Mitsvot Bnêi Nôach” (as Sete Leis Noéticas), as quais são, conforme a tradição dos nossos sábios, os deveres morais mínimos impostos pela Bíblia à toda humanidade. Vejamo-las, pois: “Ensinaram os Rabís: ‘sete mandamentos foram dados aos Filhos de Noé: que administrem justiça, e se abstenham de blasfemar, de adorar ídolos, de cair na luxúria [pecados sexuais], de derramar sangue, de roubar e de comer carne de animais vivos’ ”. (Talmud – San’hedrín 56a).

Vale ressaltar, que anteriormente o número original das Leis Noéticas eram três: “Abster-se da idolatria, da imoralidade sexual e do sangue”.

É incrível com estas Leis aparecem enfaticamente em Atos 15:20 sendo que elas foram acrescidas depois pelos sábios para sete. Abordar-se-á mais a respeito no próximo item.

E A QUESTÃO DOS GENTIOS NA BRIT CHADASHÁ (NOVA ALIANÇA)?

Como resposta, ocorreu a Assembléia de Jerusalém compostas pelos nossos sábios – judeus messiânicos – para decidir como os gentios que creram em Yeshua, deveriam ser recebidos dentro da Comunidade Messiânica. Ficou decidido: 1º - Absterem-se da contaminação dos ídolos (idolatria); 2º - Relações sexuais ilícitas; 3º - Da carne de animais estragulados; e 4º - Do sangue (Atos 15:20). Portanto, para os gentios não lhes era imposta a Brit Milá, mas sim, os mandamentos mencionados de há pouco.

Os sábios Yaacov (Tiago), Kêifa (Pedro), Yochanán (João), Shaúl (Paulo) e Bar Nabá (Barnabé), etc., concordaram com a decisão. E isto deve ficar claro, ou seja, que Yaacov (Tiago) – Rosh (Líder) da Comunidade Judaico-Messiânica de Jerusalém e Shaúl – Shalíach (Enviado) aos gentios concordaram-se unanimemente. Falo desta forma, porque é alegado que Rabí Shaúl oferecia “um Judaísmo fácil, simplificado, descompromissado com a Terra de Israel e com a história e tradições judaicas, desligado da nacionalidade judaica”. (Os Judeus – Povo ou Religião?, pág. 126), como também, é alegado que ”Shaúl e os judeus messiânicos entraram em choque na Assembléia de Jerusalém”. Por conseguinte, criaram-se “propalações infundadas  historicamente” – que alegam que “existiu” o que chamam de “Judaísmo Cristão” sob a liderança de Yaacov (Tiago) e o “Cristianismo Paulino” sob a de Shaúl (Paulo). Ademais, à vista disto, é alegado que o chamado “Judaísmo Cristão” é atacado por Shaúl nas suas cartas (sobretudo – Gálatas) e em todas as partes (sul da Galácia, Corínto, Tessalônica, Colossos, Roma e Antióquia). Exponho a seguir, as minhas refutações:

 

1.       Nunca Rabí Shaúl (Paulo) ofereceu aos gentios um “Judaísmo fácil... “. Ele estava cumprindo o ensino dos sábios (que foi registrado em San’hedrín 59b) e que foi confirmado na Assembléia de Jerusalém. Noutras palavras, não deveriam circuncidar-se. Falo “cumprindo o ensino dos sábios”, porque no 1º século havia duas correntes de rabinos no Judaísmo de então: A 1ª defendia a Brit Milá e a Conversão ao Judaísmo para o gentio, ao passo que, a 2ª, dizia que os gentios deveriam seguir as Leis Noéticas, sem a obrigatoriedade de circuncidarem-se e observar toda a Torah. E isto, indubitavelmente, explica a existência de dois tipos de gentios que freqüentavam as sinagogas: 1º - Os “Guerím” (Prosélitos) e 2º Os “Irêi HaShêm” (Tementes a D-us). O 1º passava pela Brit Milá, Mikvê (Imersão em água ou Tevilá) e eram obrigados a observar toda a Torah. O 2º era constituído de gentios que criam no Único D-us de Israel, participantes do culto na sinagoga, observantes de Kashrút (Leis Alimentares) e do Shabát, mas não eram circuncidados e imergidos no banho cerimonial (Ver Bíblia Vida Nova, comentário de rodapé de Atos 10:2). Este segundo grupo seguia a 2ª corrente do Judaísmo Rabínico. A propósito, Rabí Moshê Ben Maimôn (RAMBÁM ou Maimônides) disse que os gentios que estão sob as “Leis Noéticas” podem também optar livremente em observar alguns outros mandamentos judaicos (Mishnê Torah - Hilchot Melachím – Leis dos Reis 10:9-10).

2.       Jamais existiu historicamente um conflito entre (como é alegado) “Judaísmo Cristão” sob Yaacov (Tiago) e o “Cristianismo Paulino” sob Rabí Shaúl e que o 2º suplantou o 1º. O desconhecimento do Judaísmo Messiânico no Primeiro Século (não se trata de “Cristianismo” – que surgiu como “religião independente” no 2º século por parte dos gentios) sob a designação primitiva de “Seita dos Nazarenos” (Atos 24:5), ou seja, uma ramificação (Gr. Airesis) do Judaísmo assim como havia a “Seita (Ramificação, Partido) dos Fariseus, Essênios, Saduceus, etc., contribui para alegar-se sobre estas “duas tendências”. Nunca para Rabí Shaúl (Paulo), a Circuncisão, o Shabát e o Culto no Templo estavam, a partir da Assembléia de Jerusalém, superados e abolidos mesmo para o povo judeu sob uma “alegação pretextuosa” de que o “Cristianismo” (como se o mesmo houvesse existido no 1º século) teria de “libertar-se do Judaísmo” para ter abertura aos gentios. Terminantemente, isto não é verdade, pois, vimos anteriormente, provas incontestáveis de que Rabí Shaúl permaneceu judeu observante da Torah e das Tradições Judaicas (que incluía a participação do Culto no Templo Sagrado [nesse contexto, Rabís Yochanán e Kêifa participavam dos Serviços no Templo conforme Atos 3:1] e o próprio Rabí Shaúl orava cultuando a D-us no Templo – Atos 22:17) e que sustentava que judeu deve permanecer judeu sem desfazer a Brit Milá (1 Coríntios 7:18) e até mesmo circuncidando um judeu incircunciso, como no caso de Timóteo (Atos 16:3). Quanto aos gentios, Rabí Shaúl seguiu a 2ª corrente do Judaísmo do 1º século (que dizia que os gentios não eram obrigados a circuncidar-se, mas às Leis Noéticas) que foi ratificado na Assembléia de Jerusalém! Jamais existiu, como se alega, “uma vitória póstuma de Paulo”. Mais tarde, no segundo século, foram os gentios que se separaram do judeus messiânicos e que como prova incontestável desta separação (que fez com que surgisse o Cristianismo) dentre outras coisas: - Líderes gentios pró-romanos fizeram com que os líderes judeus de Jerusalém fossem suplantados nos seus cargos (Eusébio, História Eclesiástica 4:6) e cerca do ano 190 d.C., os gentios agora separados dos seus irmãos judeus, que foram os seus líderes no início, começaram a rejeitar o Calendário Hebraico para adotar o romano conforme o mesmo Eusébio.

3.       Os “Adversários de Shaúl” não eram judeus messiânicos, e sim, gentios que se circuncidavam e ficavam obrigando aos gálatas, por exemplo, a fazerem a Brit Milá para serem salvos, bem como observar a Torah com este intento. Como eram gentios, Rabi Shaúl os comfrontou asseverando aos gálatas que os mesmos “que se deixam circuncidar (esta expressão deixa por demais claro que se trata de “gentios”, conforme também vemos em Gálatas 5:3 que Shaúl atesta que “todo o homem que se deixa circuncidar”) nem mesmo observam a Torah” (aqui Shaúl atesta que estes gentios não estavam seguindo o ditame de Gálatas 5:3), mas queriam que os gentios gálatas fizessem a Brit Milá para se gloriarem no corpo deles (Gálatas 6:13). Segundo o Rabino messiânico Joseph Shulam “estes opositores gloriavam-se na carne, porque tinham tomado a identidade judia pela Circuncisão. Um judeu não faz opção de ser judeu, consequentemente não tem do que se gloriar por uma escolha que ele não fez”.

A despeito do fato do gentio não ser obrigado a circuncidar-se, não devemos pensar que a única exigência que a Brit Chadashá (que foi entregue como Torah) faz aos gentios seja somente seguir os 4 mandamentos de Atos 15:20. Pelo contrário, nos escritos da Brit Chadashá existem centenas de mandamentos, direcionados para judeus e para gentios. Isto também é refletido no Talmud, quando diz que, além das Leis Noéticas, foi também ordenado para os “Filhos de Noé” (Gentios como foi explicado anteriormente) a observância do Shabát e a proibição da castração (Talmud – San’hedrín 56b). É bem verdade que vários mandamentos da Torah são ratificados na Brit Chadashá (por exemplo: Bamidbár – Números 30:2,3,10-15 com 1 Coríntios 7:5 e Vayicrá – Levítico 19:11 com Efésios 4:25, 28).

Portanto, fica incontestavelmente inegável, que muitos mandamentos encontrados nas Cartas Rabínicas de Shaúl (Paulo), Iochanán (João), etc; SÃO DA TORAH. Isto é um fato maravilhoso, uma vez que se trata da Torah (com incrível confirmação da Brit Chadashá) sendo transmitida aos gentios crentes no Messias espalhados pelas comunidades messiânicas.

Vale ressaltar, que estes gentios (não obrigados à Brit Milá) para saberem o porquê dos 4 mandamentos teriam de ir à sinagoga no Shabát, como também para aprenderem mais acerca do restante da Torah: “Porque Moshê (Moisés) tem em cada cidade desde os tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os Sábados”. (Atos 15:21). Como os gentios vindos do paganismo não conheciam a Torah, eles no contato com o ensino da mesma na sinagoga no Shabát, aprenderiam que estas 4 mitsvot (mandamentos) se acham nela, a respeito do povo judeu no qual foram enxertados, etc.; A propósito, para os que aleguem que o Shabát não foi mencionado na Assembléia de Jerusalém, este texto fica de prova de que o dia de estudo das Escrituras é o Shabát e sei que, conforme uma fonte judaica, os Nazarenos tomavam partido na leitura das Escrituras na sinagoga, caso tivessem aptidão para tanto e, ademais, formavam grupos de estudos dentro da própria sinagoga (que congregava judeus messiânicos e não) e, nesse contexto, historicamente irrefutável entra Atos 15:21.

Teremos de analisar um fato tanto no Talmud quanto na Brit Chadashá: Se os gentios quiserem sinceramente “deixar-se circuncidar”, eles mesmo assim devem ser barrados???

Bom, o mesmo Talmud (San’hedrín 59b) que atesta incontestavelmente que a Brit Milá não foi imposta aos gentios, também diz o seguinte sobre o gentio interessado em identificar-se com o povo judeu por meio da mesma (converter-se ao Judaísmo): “Quando um não judeu deseja ser guêr [prosélito], deve-se dizer: ‘O que te atrai tanto ao Judaísmo que desejas ser parte dele? Não sabes, por acaso, que hoje se castiga, oprime e persegue os judeus por causa da nossa religião?’ Mas, se ele responde: ‘tenho considerado tudo isso, mas isso não muda a minha decisão”. (Talmud – Ievamot 47a; ver também Midrásh – Rut Rabá 2:16).

Não obstante, uma coisa deve ficar clara: Indubitavelmente, os Rabinos não fomentavam as decisões impensadas temerariamente quando se tratava da conversão ao Judaísmo. Isto significa evidentemente, que havia e há um período probatório em que o gentio sujeita-se à observação quanto à veracidade da sua decisão.

No primeiro século, havia muitos gentios que se circuncidavam, os mesmos são (conforme já foi dito) – os “guerím” (prosélitos) e vários depois, tornaram-se parte do Judaísmo Messiânico, como no caso de “Nicolau, prosélito de Antióquia” (Atos 6:5; ler também Atos 2:11 com 2:41; 13:43). Mas, não devemos olvidar que também havia os gentios “tementes a D-us” tanto no Judaísmo Rabínico (Atos 13:46) quanto no Judaísmo Messiânico (Atos 10:2).

Os Rabinos pela Halachá são evidentemente conclamados a desencorajar os gentios quanto à sua conversão ao Judaísmo, para que haja um afastamento dos que não são sinceros.

Mas, a Brit Chadashá proíbe terminantemente a Circuncisão aos gentios???

A princípio, Rabí Shaúl aconselha ao gentio que em Yeshua dizendo: “... foi alguém chamado estando incircunciso? Não se deixe circuncidar”. (1 Coríntios 7:18). Pelo contexto imediato, Rabí Shaúl dava este conselho sob ordem ao gentio “em todas as comunidades messiânicas em que havia gentios” (1 Coríntios 7:17); ensinava que cada um deveria permanecer no seu estado quando foi chamado à fé no Messias (1 Coríntios 7:20, 24). Ademais, pelo mesmo contexto, entende-se que é um conselho condicional, pois, por exemplo, ao que foi chamado em estado de “escravo” – poderia aproveitar a oportunidade para tornar-se “livre” (1 Coríntios 7:21). A propósito, temos um exemplo: Onésimo (Filemon 16 com Colossensses 4:7-9).

Em contexto remoto, Rabí Shaúl, ao persistir o gentio que com sinceridade quer tornar-se parte integrante do povo judeu por meio da Brit Milá, escreveu: “De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a observar toda a Torah” (Gálatas 5:3).

Portanto, conforme 1 Coríntios 7:18 e Gálatas 5:3, as observações de Rabí Shaúl (no que diz respeito ao gentio querer ser o que foi abordado logo acima) são de caráter rabínico – que consiste na Halachá pela qual, como foi falado, os Rabinos são solicitados a desencorajar os gentios interessados a não fazerem a Circuncisão para tornar-se parte do povo observando toda a Torah, pois o próprio Rabí Shaúl ensinou esta verdade da Nova Aliança: “Que o gentio não se torna parte de Israel por meio da Brit Milá, mas sim, pela fé e pelo sangue do Messias Judeu Yeshua sendo assim enxertado no povo judeu – a Oliveira Natural (Atos 15; Romanos 4:11, 12 e Efésios 2:11-13).

A Brit Milá, como vimos tão claramente bem, é uma mitsvá (mandamento) para o Povo Judeu e não para os gentios que segundo Rabí Shaúl, são unidos à Comunidade de Israel através do Messias Judeu Yeshua!!!

 A CIRCUNCISÃO DO CORAÇÃO 

Para finalizar, abordar-se-á a respeito da Circuncisão do coração. Nesse contexto, pode-se alegar: Não será a Circuncisão do coração uma “invenção do Cristianismo”??? O Judaísmo Messiânico responde que NÃO! A Circuncisão do coração é uma mitsvá (mandamento) da Torah conforme Devarím (Deuteronômio) 10:16: “Circuncidai pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa creviz”. Ver ainda Devarím (Deuteronômio) 30:6 e Yirmeyáhu 4:4. Portanto, a Tanách já faz menção da Circuncisão do coração. O que fez a Brit Chadashá (Nova Aliança) foi confirmá-la e atestar que ela é realizada tanto no judeu quanto no gentio pelo Messias Yeshua (Romanos 2:28, 29 aqui Shaúl alude a judeus; Colossenses 2:11 aqui para gentios). “Circuncisão do coração” é uma mudança interior que o homem experimenta no Messias Yeshua. Trata-se de sinônimo de “Novo Nascimento” (Yochanán 3:3, 5), “regeneração” (Tito 3:5), etc;

Rabí Moshê Ben Nachmán (RAMBÁN ou Nachmânides) vincula a Circuncisão do coração à Era Messiânica, ou seja, trata-se de um ato realizado pelo próprio Mashíach por ocasião da Sua vinda.

O Judaísmo Messiânico crê que o Messias veio e começou a realizar esta Circuncisão tanto em judeus quanto em gentios. Quando ele retornar, nosso povo e os gentios o contemplarão por ocasião do estabelecimento do Seu Reino Milenar; ocasião em que mais pessoas terão os seus corações circuncidados por Ele.

Que o D-us dos nossos pais Abraão, Isaac e Jacob abençoe a todos!

 

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